quinta-feira, 24 de julho de 2014

Zacky V. sobre gravação do Sounding The Seventh Trumpet: "O Jimmy estava a tocar numa bateria que estava prestes a cair"

A Revolver Magazine entrevistou Zacky Vengeance e ele falou bastante sobre os primeiros tempos da banda, como foi escrever o álbum 'Waking The Fallen', como era a vida nessa altura, o que ele mudaria caso se encontrasse com o seu Eu dessa altura.
Vejam a tradução da entrevista abaixo:

Revolver Magazine: Porquê reeditar o Waking the Fallen?
Zacky Vengeance: Sentimos que esse álbum foi realmente um ponto crucial na nossa carreira e um momento decisivo no desenvolvimento do som dos Avenged Sevenfold. O Brian [guitarrista Synyster Gates] tinha acabado de entrar na banda, e foi aí que começamos a incorporar os duelos e harmonias de guitarra. É também quando Matt [vocalista M. Shadows] começou realmente a cantar de verdade em vez de apenas gritar - e não era apenas em coros ou pequenos pedaços aqui e ali. Então queríamos refazê-lo e consciencializar as pessoas e dar-lhes uma espécie visão sobre o que estava a acontecer connosco nessa época, o que nos passava pela cabeça quando estávamos a fazer essas músicas, como soavam as demos. Basicamente, estamos apenas a dar às pessoas uma oportunidade de olhar  para trás na  nossa carreira, lembrar e perceber que nós viemos de origens muito humildes.

RM: Como era a vossa vida em 2003, quando estavam a fazer o álbum?
ZV: Era muito divertido! Éramos jovens, todos viviamos com os nossos pais ainda e todos nós apenas conduziamos os nossos carros de m*rda até casa dos pais do Matt para termos sessões completamente informais de escrita, que eram basicamente uma tentativa de impressionar os outros com os riffs que criávamos,  tentando incorporar as nossas influências pessoais nas as músicas. E depois, era apenas ir ao bar do Johnny, beber tantas bebidas baratas ou grátis quantas conseguíssemos! [Risos] Então acordávamos de ressaca e começávamos o processo de novo. Era muito divertido. Não havia pressão, era basicamente  um grupo de amigos a reunir-se para fazer a melhor música que conseguiam.

RM: Consege-se mesmo ouvir o início do verdadeiro som dos Avenged Sevenfold neste álbum.
ZV: Sim. No nosso primeiro álbum, Sounding The Seventh Trumpet, estavamos a ouvir bandas de heavy metal mais obscuras e bandas de hardcore. Mas, desta vez,  o Matt estava a ouvir músicas dos Pantera, como Far Beyond Driven, e eu estava a ouvir o ... And Justice For All e o Master of Puppets dos Metallica,  e o Brian ia trazendo todo este som parecido com Iron Maiden na guitarra. Era como se nos estivéssemos a aperceber que não havia problemas em gostar dessas bandas de metal realmente enormes e que nós queríamos incorporar algumas dessas coisas. Nós não estávamos com medo do que os nossos pais iam dizer ... Naquela altura, de onde viemos, não era fixe não ser uma banda de metal underground ou hardcore, então para nós, incorporar influências de bandas que realmente tiveram algum sucesso no mainstream, foi meio que arriscado. Mas era o que amávamos, meu, e fomos incorporando todas essas coisas. Nós basicamente decidimos, "Não me importa o que os outros pensam sobre nós, esta é a música que gostamos de fazer! Vamos fazê-la! "

RM:  Este foi o primeiro álbum dos Avenged onde apresentaram o Synyster Gates como membro, certo?
ZV: Basicamente, sim. Nós refizemos a introdução da música de abertura de Sounding The Seventh Trumpet e o Brian colocou um solo nela, mas esta foi a primeira vez que Brian gravou um álbum inteiro,  contribuindo também para a composição. Foi quando começamos a incorporar os duelo de guitarras. A primeira música escrita para ele foi a "Second Heartbeat" e isso foi mesmo quando o Brian se estava a juntar à banda. Ele veio e ouviu o riff de abertura que eu tinha escrito, e ele ficou do género, "Pessoal, vamos adicionar uma guitarra harmónica nela!" De repente, ela tornou-se nesta coisa ao estilo Iron Maiden, e o Matt e eu ficamos completamente espantados. Eu nunca fui muito de solar, e de repente estávamos a incorporar todos estes elementos fantásticos que nunca tínhamos tido antes.

RM: Vocês gravaram o Waking the Fallen no NRG Recordings em North Hollywood, certo? Como foi essa experiência?
ZV: Penso que a gravação decorreu algurem em Burbank, mas me lembro do nome. Foi a nossa primeira vez a trabalhar com um produtor [Andrew Murdock, A.K.A. Mudrock] e "apanhamos" dele - ele era do tipo, "Zacky, não és muito bom na guitarra, a bateria não está muito interessante, e vocês não estão a tocar para qualquer tempo. E onde deviam ter uma música com seis minutos de duração, escreveram uma música de 10 minutos que não presta." Era como estar num boot camp, ficávamos chateados. Não vou mentir-eu odiava ter alguém a dizer-me que o que estávamos a fazer tinha que ser melhor, ou que o meu modo de tocar guitarra era desleixado ou que as partes das nossas músicas não se encaixavam. Quando se é um puto rebelde, não se quer ouvir alguém a dizer isso. Então foi de certa forma uma batalha, mas olhando para trás, foi espetacular. Aprendemos muito sobre gravações, e isso levou-nos a um nível de profissionalismo que não tínhamos.

RM: Muitas bandas jovens acham difível fazer a transação estúdio-palco.
ZV: Completamente. Nós estávamos lá em palco com instrumentos partidos, tentando ser o mais doidos que conseguíssemos, mas não percebíamos que o álbum tinha que soar bem para que pudesses transmitir o que queres às pessoas. O momento que mais me definiu, pessoalmente - e um dos momentos que mais nos definiu na nossa carreira - foi quando estávamos todos juntos com o produtor e com o engenheiro durante a pré-produção e estávamos a tocar a "Unholy Confessions". Era basicamente um riff que o Rev e eu tínhamos escrito durante o soundcheck e depois o Syn e o Matt chegaram com um refrão brilhante e um breakdown quase groove. Começou com o Matt a gritar o tempo todo, porque era basicamente o que fazíamos, mas o Matt ficou do género, "O que achas sobre eu cantar algumas destas partes em vez de as gritar?" Ele cantou esta incrível melodia na sua extremamente única voz e nós ficamos tipo, "É isso mesmo - vamos incorporar o cântico!" Ficamos dogénero, "És um grande cantor - quem liga ao que os miúdos do hardcore pensam de nós? Tens que cantar estas partes!" Isso adicionou toda uma nova dimensão.

RM: Quais são os extras nesta reedição?
ZV: Na reedição oferecemos as faixas demo que gravamos para o álbum. Basicamente fomos para um pequeno estúdio com orçamento zero [e com o Teppei Teranishi dos Thrice a produzir], mas queriamos ouvir como soavam as músicas com melodias vocais e diferentes tons de guitarra antes de as gravarmos a sério. Estas demos são tão reais e cruas como podem ser - todas elas são diferentes das músicas que acabaram no Waking The Fallen. Tiramos partes de algumas músicas, adicionamos algumas a outras músicas e tiramos algumas por completo. Consegue-se ouvir definitivamente a evolução.
Penso que há cinco demos. Uma delas acabou por ser a parte príncipal do City Of Evil e nunca foi sequer usada no Waking The Fallen. Nessa altura, não tínhamos gravado muito, por isso era quase experimental - tipo, "Caramba, é assim que soamos?" [Risos] É apenas experimentação, e tentamos encontrar o nosso próprio som por nós mesmos. O Sounding The Seventh Trumpet não soava exatamente como nós, porque o Matt não cantava muito, o Brian não estava na banda, o Jimmy estava a tocar numa bateria que estava prestes a cair e as minhas habilidades na guitarra nunca foram exatamente vigorosa. Então nestas demos foi quando fomos capazes de verdadeiramente ouvir o que os Avenged Sevenfold eram capazes de soar.

RM: Há também um DVD gravado ao vivo em 2003, certo?
ZV: Sim, vê-lo dá-me arrepios - ele mostra-nos como estes miúdos novos basicamente nesta busca. Não mudou muito desde então na nossa atitude, ou com a nossa vontade de tocar um concerto, mas nesta altura não tínhamos os instrumentos, equipa e base de fãs que temos agora. É basicamente nós com nada mais que a nossa atitude e vontade. Somos todos um monte de pele e osso, desnutridos tentando fazer música e vestindo-nos da forma mais escura que conseguíamos, e a pedir dinheiro emprestado dos amigos para que pudessemos comprar uma cerveja no bar. Algumas pessoas apenas nos conhecem como esta grande banda que toca em festivais e que encabeça o cartaz de digressões, mas os nossos amigos próximos e a nossa família vêm esta gravaçao e ficam do género, "Uau, esqueci-me completamente desses dias!"

RM: Se pudesses de alguma forma encontrar-te hoje com o o teu próprio Eu desnutrido daquela altura, o que lhe dirias?
ZV: Diria, "Não faças nada de forma diferente - aproveita a viagem, meu!" Aqueles momentos na vida foram tão desafiantes como podem ser agora, mas foi tudo uma grande experiência. Espero que as outras bandas possam olhar para isto e perceber que ninguém está ligado ao sucesso de início - tudo chega com um custo e tudo chega com muito trabalho e com decisões que se têm que tomar que são muito duras. Mas também há a oportunidade de, caso acredites em ti mesmo, podes-te levar a um outro nível. Então eu não mudaria nada, meu. Acho que todas as difíceis decisões que tomamos foram acertadas.

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